Mudanças climáticas: é hora de agir

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Norman de Paula Arruda Filho

O 50º Fórum Econômico Mundial, realizado entre os dias 21 a 24 de janeiro, em Davos, na Suíça, trouxe à tona o debate sobre as mudanças climáticas, que entrou na pauta de urgência dos chefes de Estado, pesquisadores, acadêmicos, empresários, pensadores e celebridades. Entre discursos e alfinetadas de governantes, o que fica são os fatos. No relatório deste ano sobre os Riscos Globais, os cinco principais riscos estão relacionados ao meio ambiente, em especial aos eventos climáticos extremos, que podem gerar crises hídricas, migração involuntária em larga escala, fome e instabilidade social. Embora não tenha havido consenso entre os participantes, ficou claro que há uma plena consciência sobre a urgência de ações imediatas.

Em uma das sessões, Mohamad Al Jounde, refugiado sírio que ganhou o Prêmio Nobel da Paz da Criança, relatou seu temor que o foco nas mudanças climáticas tirasse de cena temas como educação, saúde e desigualdades. Quero analisar essa declaração um pouco mais de perto: de acordo com o relatório “Economic Losses, Poverty & Disaster”, divulgado em 2018 pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Risco de Desastre e do Centro de Pesquisa de Epidemiologias e Desastres, 1,3 milhão de pessoas morreram devido a desastres geofísicos em apenas duas décadas. Além disso, 4,4 bilhões de pessoas ficaram feridas, sem teto, deslocadas ou demandando assistência de emergência. Os dados demonstram também que pessoas expostas aos riscos naturais em países pobres possuem sete vezes mais chances de morrer. O custo humano aumenta implacavelmente nos casos em que os níveis de renda nacional diminuem.

Voltando ao discurso do sírio Mohamad Al Jounde, acredito que os desastres causados pelos eventos climáticos extremos podem servir de janelas de oportunidade para evidenciar estrategicamente ao mundo que, embora o tema da desigualdade esteja ligado à falta de mobilidade social, os desastres causados por eventos extremos, colocam os países pobres em um ciclo perverso de constante reconstrução, o que inibe os indicadores de desenvolvimento sustentável em suas economias.

Por mais que alguns questionem as previsões de cenários catastróficos, é indiscutível a urgência de iniciativas colaborativas, compartilhamento e cooperação entre todos os atores com poder de decisão. É necessário que desastres sejam prevenidos, mitigados e economias sejam alavancadas sustentavelmente em um planeta que, historicamente, é capaz de se autorregular, seja por pandemias ou desastres naturais. Fico aliviado pelos 50 anos do Fórum ter demonstrado um mundo desperto à desafios que não são novos, mas que ficavam restritos às discussões científicas e aos bancos da Academia. Agora, é a hora da ação.

Norman de Paula Arruda Filho é presidente do ISAE Escola de Negócios e Co-chair do PRME Capítulo Latino-Americano e Caribenho.

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