Chega aos cinemas brasileiros documentário sobre o campeão Anderson Silva

    0
    268

    Final digno de roteiro hollywoodiano e filmes do Rocky Balboa. É isso que o documentário Como água, com pré-estreia marcada para a próxima segunda-feira, traz para os espectadores. O longa, que mostra a preparação do brasileiro Anderson Silva para o combate contra Chael Sonnen (EUA), em agosto de 2010, não poderia ter sido filmado em melhor hora pelo diretor norte-americano Pablo Croce e o produtor Jared Freedman.

    Em abril de 2010, quando começaram a gravar, Anderson Silva vinha de uma vitória sobre o compatriota Demian Maia e iria iniciar a preparação para o próximo adversário: o falastrão Sonnen. Na época, o Spider já ostentava o título de campeão dos pesos médio, uma sequência de 12 triunfos consecutivos e ainda contava com seis defesas de cinturão — com sucesso — no currículo. Apesar de tudo isso, estava sofrendo críticas devido ao comportamento no combate contra Demian, quando, em vez de lutar, ficou provocando e humilhando o rival.

    A atitude do brasileiro dentro do octógono irritou até Dana White, o poderoso chefão do UFC, que ameaçou demitir o lutador da organização. “Eu não me importo se ele é o melhor do mundo. Eu não me importo se ele é o campeão dos médios. Eu irei cortá-lo”, afirmou o dirigente em uma entrevista à tevê norte-americana e mostrada no longa.

    Em meio às polêmicas, Anderson Silva começava a se preparar para o que seria a luta mais complicada da vitoriosa carreira. Ao longo do documentário, os espectadores acompanham os treinos do brasileiro com os amigos e também lutadores Lyoto Machida, Júnior Cigano e Antônio Minotauro. A dura rotina se revela desgastante física e emocionalmente, já que o campeão dos médios passou boa parte dos quatro meses treinando em Los Angeles, longe da família, que mora em Curitiba.

    Se de um lado o filme exibe Anderson Silva às voltas com um drama pessoal, do outro, o diretor Pablo Croce contou com o vilão perfeito para a história. Irônico e falastrão, Chael Sonnen aparece em entrevistas polêmicas, sempre alfinetando o brasileiro. Sonnen, especialista em wrestling, era visto como o único lutador capaz de parar o Spider e aproveitava essa brecha para intimidar e insultar o rival.

    Após quatro meses de filmagem, o documentário ganhou a cena principal: a luta entre Anderson Silva e Chael Sonnen, que ocorreu em 7 de agosto de 2010, no UFC 117. Durante o combate, o brasileiro apanha como nunca ocorrera antes na carreira no MMA e sofre por quatro rounds e meio nas mãos do norte-americano. A reação dos narradores e do público mostra como parecia inacreditável o que era visto no octógono. Porém, para alegria do brasileiro, dos fãs e do diretor do filme, uma reviravolta fez com que o campeão dos médios conseguisse encaixar um triângulo faltando dois minutos e meio para o fim do quinto e decisivo assalto. Resultado: mais uma vitória do Spider, que manteve o cinturão dos pesos-médios.

    Inspirado no ídolo
    Segundo o diretor Pablo Croce, o título do documentário é inspirado em uma famosa citação de Bruce Lee, ídolo máximo de Anderson Silva, de que um artista marcial deve ser “como água” — sem forma, facilmente adaptável a qualquer ambiente. “Anderson diz que o estado mental dele quando entra no ringue tem que ser como água”, explicou Croce.

    O documentário, que foi exibido pela primeira vez no Brasil no ano passado, durante o Festival do Rio de Cinema, não poderia ser lançado em melhor hora. O longa servirá de aperitivo para a tão aguardada revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen, que está prevista para ocorrer em junho deste ano, ainda sem local confirmado. O brasileiro agora já tem nove defesas de cinturão e uma sequência de 15 lutas invicto. Sonnen, por sua vez, vem de duas vitórias e continua falastrão.

    A luta estava prevista para ser no Pacaembu, em São Paulo. Porém, devido à lei de silêncio, que não permite barulho após à 1h no local, o duelo ainda está sem local marcado. Pode acontecer, então, no Rio de Janeiro ou em Las Vegas.

    Drogas e fratura

    A aguardada revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen demorou a ser marcada porque o norte-americano ficou suspenso por um ano das lutas, devido ao teste positivo no antidoping, justamente na luta contra o brasileiro. Enquanto Sonnen lutou com drogas no corpo, Anderson revelou depois que entrou no octógono com uma lesão na costela direita. As situações não são citadas no documentário.

    Artigo anteriorLuciano Ibiapina cantando conquistador de Cera.
    Próximo artigoDecreto vai impor regras da Ficha Limpa a ocupantes de cargos comissionados