Elizabeth Savalla comenta “A.M.A.D.A.S.” e carreira: “Sou intuitiva”

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    Kacio Pacheco/Divulgação

    Elizabeth Savalla roda há cinco anos por palcos do Brasil com a peça “A.M.A.D.A.S. — Associação de Mulheres que Acordam Despencadas”. Mas o espetáculo só estreia em Brasília neste sábado (1º/7) e domingo (2/7), em duas sessões no Teatro Caesb (Águas Claras).

    No monólogo, a atriz interpreta mais dez personagens de meia-idade às voltas com pressões e obsessões tipicamente atuais: a vontade de rejuvenescer e as estratégias que muitas vezes viram excessos (cirurgias plásticas, academias, salões de beleza).

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    “Como a gente lida com esse caimento?”, brinca a paulistana Elizabeth, 62 anos. “A idade chega para todo mundo. No Brasil, cobra-se sempre juventude. Temos que envelhecer com noção para não virarmos caricatura do que já fomos”, argumenta.

    Em conversa divertida com o Metrópoles, Elizabeth vai além de “A.M.A.D.A.S.” e repassa seus mais de 40 anos de carreira no teatro e na TV. Lembra as várias mulheres que interpretou, da Malvina de “Gabriela” (1975) à inédita Arlete de “Pega Pega”, personagem que só deve entrar na trama em agosto.

    Elizabeth também analisa seu método espontâneo de interpretação (“faço cada cena como se fosse definitiva”) e celebra Millôr Fernandes e Walcyr Carrasco, dois autores que considera entre os mais desafiadores de sua extensa trajetória no tablado e na telinha.

    “A.M.A.D.A.S.” circula desde 2012. A peça mudou muito desde as primeiras montagens?
    Eu nunca estive com ela aí em Brasília. Teatro é uma coisa fantástica. A cada dia um espetáculo novo, cidade nova, emoção diferente. Fiquei sete anos em cartaz com “É…” (1996-2003), do Millôr Fernandes, por exemplo. Gosto bastante de fazer temporadas longas.

    Além dos vários papéis na TV, você acumula personagens marcantes no teatro. Quais trabalhos mais te desafiaram?
    No teatro fiz mulheres maravilhosas. A Vera Toledo no “É…”, do Millôr, a “Frizileia – Uma Esposa à Beira de um Ataque de Nervos” (2004-2011), que foi muito desafiadora. Todo ator morre de medo de fazer monólogo. Depois que você faz, relaxa. Os personagens vão acompanhando suas fases. Você os leva e eles te guiam. Mas o melhor sempre será o próximo.

    Hoje se fala bastante da importância do feminismo do empoderamento feminino. Você enxerga um pouco disso em “A.M.A.D.A.S.”, ainda que filtrado por uma veia mais bem-humorada?
    Uma das personagens está inserida no mercado, é professora, trabalha, dá aula em colégio em dois turnos, não tem empregada em casa, precisa passar, cozinhar e estar linda e cheirosa para não perder o marido. Tem vários questionamentos, mas acho que não está preocupado com empoderamento feminino. É mais sobre o feminino, o fato de envelhecer, a gravidade, medo de os peitos caírem.

    Daqui a dois meses a Arlete entra na trama de “Pega Pega”, novela das sete. Conte como será essa personagem.
    Na verdade se fala “Pega! Pega!”. Mas no Brasil nem se pode gritar isso, não fica ninguém. Não sei nada sobre a personagem. A autora (Claudia Souto) me disse que ela é carregada de segredo. A base é que ela é irmã da Nicette Bruno e da Cristina Pereira. Saiu, enfim, foi embora, abandonou o filho (Thiago Martins). Depois, volta e parece que vai triangular com Marcos Caruso e Irene Ravache. O povo da terceira idade reunido.

    Papéis marcantes de Elizabeth Savalla na TV:

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    Comentou-se no começo do ano que você estaria em “O Sétimo Guardião”, de Aguinaldo Silva. Procede?
    Só soube pela internet, fãs falando etc. Mas a TV Globo oficialmente não me disse nada. O que sei é que estou na novela da Claudia (“Pega Pega”). Já sabia na época da “Êta Mundo Bom!” (2016). Ela é talentosíssima, grande amiga, amo de paixão. Primeira novela solo dela. É diferente, alegre e tá batendo várias frentes de Ibope. Depois temos que assistir “Jornal Nacional”, aí ficamos tão desesperados…

    Olhando em retrospecto seus mais de 40 anos de carreira, quais papéis você guarda com mais carinho?
    É difícil fazer isso, viu?! Quando você termina, já tá na fissura do novo personagem. Uma das coisas que descobri é que a gente não sabe de nada mesmo. Nunca sabemos se vão descobrir que somos uma fraude nesse trabalho. É imponderável. Faço cada cena como se fosse definitiva. Eu sou intuitiva, não planejo “agora é isso, vou fazer uma virada”. Não sou assim. Meu trabalho é dentro do universo do personagem.

    Mas há grandes personagens. Primeiro a Malvina de “Gabriela”, de Jorge Amado. O primeiro sutiã a gente nunca esquece. Marcou muito minha vida, minha carreira. Dele já fui para o protagonismo. Eu tinha 20 anos. Depois disso, as novelas da Janete Clair: “O Astro” (1977-1978), a Carina de “Pai Herói” (1979), que esses dias passou no canal Viva.

    Quando olhei, vi que podia ser avó dela hoje. É, poxa, uma beleza. Não tem nada mais bonito que a juventude. Ganhei muitos prêmios com a Márcia de “Amor à Vida” (2013). Teve a Jezebel de “Chocolate com Pimenta” (2003). O Walcyr Carrasco me deu uma gama de mulheres diferentes para fazer e muitas delas calcadas no humor. Um grande presente. Através do humor você passa mensagens sérias, sábias. Mas com deboche e as pessoas percebem.

    “A.M.A.D.A.S. — Associação de Mulheres que Acordam Despencadas”
    Sábado (1º/7), às 21h, e domingo (2/7), às 19h, no Teatro da Caesb (Avenida Sibipiruna, Águas Claras). Ingressos (preços de meia): R$ 60. À venda no teatro, na Bilheteria Digital e em pontos físicos no Alameda Shopping, Boulevard Shopping, Brasília Shopping, Liberty Mall e Pátio Brasil. Informações pelos telefones (61) 98459-2312, (61) 98104-8835 e (61) 98413-0850. Não recomendado para menores de 14 anos

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