A crítica ainda influencia bilheterias? Os números mostram que sim

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    Universal/Warner Bros./Divulgação

    Diz o clichê que um filme deve ser assistido com olhar “virgem”, sem contaminação de spoilers, pitacos do colega de trabalho ou as opiniões da crítica, seja ela rabugenta ou boazinha. Mas, em 2017, as bilheterias têm mostrado que as plateias ainda se mobilizam pelo veredito dos especialistas sobre as produções mais aguardadas do momento.

    Em Hollywood, já se comenta de um fenômeno chamado de “fadiga de franquia” (“franchise fatigue”). É o termo utilizado para mostrar como o festival de continuações e releituras tem gerado cansaço e má vontade na crítica e, por tabela, no público.

    A temporada registra vários casos de novas sagas que fracassaram já no primeiro filme. “A Múmia”, mesmo com o magnetismo de Tom Cruise, não convenceu ao tentar emplacar o Dark Universe, que pretende reunir Frankenstein, Drácula e outras criaturas clássicas. “Rei Arthur: A Lenda da Espada” também deu prejuízo.

    Veja exemplos de bilheterias condenadas pela crítica:

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    Por outro lado, a crítica também tem o poder de alavancar a carreira de filmes independentes ou potenciais blockbusters antes vistos com desconfiança.

    Dois dos melhores trabalhos originais do ano, “Corra!” e “Fragmentado” alcançaram públicos imensos a partir de orçamentos diminutos. As críticas positivas certamente colaboraram para que as pessoas se sentissem instigadas a pagar para ver produtos totalmente originais, sem filiações a franquias.

    “Mulher-Maravilha” chegou mui pressionada pelos fãs de gibis – estreia da amazona em aventura solo – e pela recepção ruim aos filmes anteriores do universo DC (“O Homem de Aço”, “Batman vs Superman” e “Esquadrão Suicida”). Os jornalistas gostaram, e as plateias confirmaram.

    Veja exemplos de bilheterias impulsionadas pela crítica:

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    Equacionar o entrelaçamento entre crítica e bilheteria não é uma ciência exata. O mais comum, na verdade, é encontrar filmes celebrados pela imprensa, sobretudo europeus, asiáticos e de festivais, que jamais conseguem traduzir as estrelinhas dos jornalistas em dígitos.

    De qualquer forma, essa conversa entre opinião e espetáculo impacta, sim, nos filmes feitos para atrair multidões. “A Bela e a Fera” (US$ 1,2 bilhão) e “Velozes e Furiosos 8” (US$ 1,2 bilhão) lideram as arrecadações de 2017 e receberam críticas de moderadas para boas.

    Veja exemplos de bilheterias frustrantes impactadas pela crítica:

    Em miúdos: um filme mal de crítica não é bom para os negócios. Mas a obsessão dos estúdios de Hollywood em ultrapassar a barreira de US$ 1 bilhão a cada novo lançamento também modificou a noção de sucesso ou fracasso.

    Alvo de resenhas de mornas para raivosas, “Meu Malvado Favorito 3”, “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” e “Transformers: O Último Cavaleiro” figuram entre as dez maiores arrecadações da temporada. O trio não exatamente faliu produtores, mas voou baixo.

    Vale reforçar que, na conta do show business, a maior fatia de lucro vem do mercado americano, obviamente mais próximo dos estúdios e nada suscetível aos impostos e às regras financeiras de outras praças. De nada adianta ir bem na China ou na Europa sem uma base minimamente razoável de espectadores nos EUA.

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