Crítica: “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” é boa ópera espacial

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    Diamond Films/Divulgação

    “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, filme baseado no quadrinho francês de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, é o que se pode definir como uma genuína ópera espacial comandada pelo diretor de “O Profissional’ (1994), “O Quinto Elemento” (1997) e “Lucy” (2014).

    Figurinos extravagantes, dezenas de espécies alienígenas das mais bizarras, paleta de cores psicodélica e um roteiro confuso garantem que estamos diante de um novo filme de Luc Besson.

    Vendido como um blockbuster francês fabricado pela EuropaCorp, a produtora de Besson responsável por “Carga Explosiva” e “Busca Implacável”, “Valerian” tem fracassado nas bilheterias numa tentativa ambiciosa de emplacar uma franquia de ficção científica com escala comparável a “Star Wars” e “Star Trek”.

    Agentes espaciais, Valerian (Dane DeHaan, visto este ano em “A Cura”) e Laureline (Cara Delevingne) desbravam o universo atrás de um conversor – uma criaturinha, a última de sua espécie, capaz de multiplicar qualquer objeto, como as pérolas mágicas de seu habitat natural.

    O espaço segundo Besson: colorido e multipovoado
    Mal sabem os dois que o animal é um dos poucos sobreviventes de um genocídio que exterminou os habitantes humanoides e toda a flora e fauna do planeta Mül. Os remanescentes também procuram pela criatura.

    Mais talentoso no design de produção do que em engrenagens de roteiro, Besson relaciona a missão de Valerian e Laureline à metrópole Alpha, gigantesca estação espacial que reúne representantes políticos, culturais e científicos de todas as raças alienígenas conhecidas e registradas. Entre eles, o comandante humano Arun (Clive Owen), movido por planos nada comunitários.

    Apesar do visual sempre deslumbrante, “Valerian” tem dificuldades para emplacar a dinâmica de flertes entre os policiais do espaço e obtém mais vibração na galeria de personagens curiosos visualizada por Besson: de Rihanna no papel de uma extraterrestre mutante ao Ethan Hawke dono de boate, passando por seres de todos os tamanhos e formas possíveis.

    O romance jamais decola, boa parte das cenas cômicas não tem lá muita graça e o final perde charme com trechos excessivamente expositivos. Ainda assim, “Valerian” registra mais imaginação do que a maioria dos blockbusters que vemos por aí. Daria uma bela sessão dupla com o igualmente subestimado “O Destino de Júpiter” (2015).

    Avaliação: Bom

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