Coluna Ângulo Aberto dia 24 de Setembro.

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CRESCIMENTO ECONÔMICO RURAL, REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES SOCIAIS DO CAMPO E PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Salin Siddartha

A descentralização das unidades de produção e a informalização das relações de trabalho flexibilizaram os processos produtivos e reduziram o papel do Estado e das instituições regulatórias. Seja no mundo urbano ou camponês, houve uma mudança no desenho tradicional do processo produtivo, afetando de forma ainda mais latente o labor agropastoril, devido a seu conservador e tradicional sistema mais fechado de relações sociais passar a recepcionar maior distanciamento entre si e o Estado, antes tão presente e, até mesmo, de forma paternalista, em suas intervenções subsidiárias.

Nesse contexto, é preciso que haja um novo enfoque para o desenvolvimento rural em uma situação tão especial e depressiva economicamente como a que afeta o DF; entretanto o desenvolvimento rural requer a erradicação da pobreza rural, a participação política protagonizada pelos atores sociais, o território como unidade de referência e a sustentabilidade ambiental. A necessidade de ações voltadas para o desenvolvimento e a inclusão social na Capital da República põe-se para o campo da mesma forma que

para a cidade, pois, em ambos os espaços, grande parte da população pobre não alcança a plena cidadania. Então, coloca-se o desafio de conseguir que as lutas cotidianas criem novas instituições.

O direito do cidadão de intervir na criação de uma qualidade de vida melhor requer sua participação nos organismos comunitários dos movimentos populares de reivindicação urbana e rural, transcendendo o eixo político-partidário e o eixo sindical. Tudo isso da forma mais harmônica possível, para evitar choques que transformem inconsequentemente a necessária mudança em uma situação utópica, irrealizável.

Há, de fato, um possível tripé do desenvolvimento agrário do Distrito Federal, configurando-se no crescimento econômico rural, redução das desigualdades sociais na vida do campo e preservação do meio ambiente. Essa é uma meta que, convenhamos, não é fácil de ser atingida nem no Distrito Federal nem no restante do Brasil, mas é um desafio posto à frente de quem se propõe à formulação de um programa de desenvolvimento local como expressão democrática.

Como um fenômeno local, o desenvolvimento rural deve ter vez nas localidades que apresentem maior capacidade de organizar os fatores endógenos, direcionando-os para o fortalecimento da organização social, para o aumento da autonomia local dos atores na tomada de suas decisões, para a capacidade de reter e reinvestir capitais em nível local, a fim de promover a inclusão social e aumentar a capacidade de regenerar e conservar o meio ambiente. Todavia, e acima de tudo, o desenvolvimento rural é um processo que resulta de ações articuladas indutoras de mudanças socioeconômicas e ambientais no âmbito do espaço rural para melhorar a renda, a qualidade de vida e o bem-estar da população não-urbana.

A dinamização do setor agrário depende de uma melhor vinculação urbano-rural. A dinamização sustentável do espaço rural a partir das novas tecnologias e de pesquisas voltadas para o agronegócio poderá ser implementada para auxiliar no desenvolvimento da zona rural do Distrito Federal.

Cruzeiro-DF, 22 de setembro de 2019

SALIN SIDDARTHA

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