Metade das indústrias enfrenta falta de trabalhador qualificado

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Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cinco em cada dez indústrias brasileiras enfrentam problemas com a falta de trabalhadores qualificados. Ao todo, 1.946 indústrias participaram do levantamento.

A carência desses profissionais deve se agravar à medida que aumentar o ritmo de expansão da economia e se tornará um dos principais  obstáculos ao crescimento da produtividade e da competitividade do país, registra a análise. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11/02/2020).

Embora preocupante, o índice é menor do que o registrado nas últimas pesquisas do tipo. Em 2013, o número de empresas que tinha dificuldades para encontrar mão de obra qualificada era de 66%, mesmo percentual registrado em 2011.

Para a CNI, o problema depende de ações no curto e no médio prazo. “De imediato, é necessário um esforço de qualificação e requalificação da força de trabalho. No longo prazo, é preciso intensificar os esforços para melhorar a qualidade da educação básica”, afirma a pesquisa.

Na indústria de transformação, o setor de biocombustíveis é o que mais enfrenta dificuldades com a falta de mão de obra qualificada. Nesse segmento 70% das empresas dizem que têm problemas com a qualificação dos trabalhadores.

Em seguida, vêm o setor de móveis, em que 64% dos empresários reclamam da falta de profissionais qualificados e, em terceiro lugar, empatados, aparecem a indústria do vestuário e de produtos de borracha (62%).

Segundo a CNI, o problema se agrava na área de produção. Entre as empresas que relatam a falta de trabalhador qualificado, 96% afirmam que têm dificuldades para contratar operadores.

Veja  índice de dificuldade por área:

  • 90% trabalhadores de nível técnico
  • 82% vendas e marketing
  • 81% administrativa
  • 77% engenharia
  • 75% gerencial (75%)
  • 74% pesquisa e desenvolvimento

Na avaliação dos industriais, a falta de trabalhador qualificado prejudica 97% das empresas que enfrentam o problema. “Os maiores impactos recaem sobre a produtividade da empresa e qualidade do produto. Ou seja, o problema afeta diretamente a competitividade da indústria brasileira”, alerta a pesquisa.

Entre os objetivos das empresas que são mais atingidos pela falta de profissionais qualificados, aparece, em primeiro lugar, com 72% das respostas, a busca por eficiência ou redução de desperdícios. Em segundo lugar, com 60% das menções, os empresários citam a manutenção ou o aumento da qualidade dos produtos.

De acordo com a pesquisa, o prejuízo da falta de mão de obra qualificada sobre o objetivo de adquirir e absorver novas tecnologias é maior nas grandes indústrias. Nesse segmento, o problema teve 31% das assinalações. Entre as pequenas indústrias, o número de respostas foi de 13%.

Capacitação
A pesquisa mostra ainda que as empresas procuram capacitar os trabalhadores. Mais de nove em cada dez empresas que relatam a falta de mão de obra qualificada têm políticas e ações para lidar com o problema.

Entre as ações, se destacam, em primeiro lugar, a qualificação na própria empresa, com 85% das respostas. Em seguida, com 42% das menções, aparece a capacitação fora da empresa (cursos externos) e, em terceiro lugar, com 28% das citações, o fortalecimento da política de retenção do trabalhador.

O levantamento foi feito entre 1º e 11 de outubro de 2019, com 1.946 indústrias de transformação e extrativas de todo o país. Dessas, 794 são pequenas, 687 são médias e 465 são de grande porte.

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