Flip 2017: uma festa literária com foco na diversidade

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    Paraty (RJ) – A  Flip, o evento literário mais importante do país, priorizou o debate racial e a inclusão na edição de 2017. Cerca de 30% dos escritores e escritoras participantes da feira eram negro, segundo a curadora  Josélia Aguiar. Nas mesas de debate, outra conquista: homens e mulheres tiveram representação igual, 23 em cada gênero.

    Lázaro Ramos participou ativamente das discussões, tornando-se um dos destaques do evento. Ele lançou seu livro “Na Minha Pele”(Objetiva) — a obra mais vendida da Flip. Na abertura, o ator e escritor foi recebido com clamor pelo público, que protestava contra o presidente. “Se Lima Barreto (autor homenageado da edição 2017) aqui estivesse, também estaria gritando ‘Fora, Temer’”, afirmou.

    Um dos momentos mais marcantes do evento foi quando a professora Diva Guimarães contou a Lázaro e à plateia sobre um episódio de sua infância. Uma freira lhe disse que sua cor de pele é escura por preguiça de seus ancestrais no “lago primordial”, que só lavaram as mãos e os pés. A confissão emocionou todos os presentes.

    A escritora africana Scholastique Mukasonga, 61 anos, foi a segunda autora mais vendida de toda a Flip. Nascida em Ruanda, onde teve a grande maioria da família assassinada no genocídio de 1994, fez um discurso emocionante ao comentar seus dois livros: “Nossa Senhora do Nilo” (Nós) e “A Mulher dos Pés Descalços” (Nós).

    As obras contam a dura história do povo da etnia Tutsi na Ruanda dos anos 1990. A autora, ela mesma uma Tutsi, teve que fujir de seu país para sobreviver e é considerada uma das maiores vozes da literatura africana nesse momento.

    Além de Scholastique, outros autores internacionais convidados vieram lançar seus livros em português. Na livraria oficial, que ficava em uma tenda ao lado da Igreja da Matriz, enfileiravam-se novas edições: Paul Beatty (Estados Unidos), Patrick Deville (França), William Finnegan (Estados Unidos), Marlon James (Jamaica), Deborah Levy (África do Sul), Djaimilia Pareira de Almeida (Portugal) e Sjon (Islândia).

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    O homenageado da edição 2017 foi o autor Lima Barreto, escritor negro filho de ex-escravos. Seu maior sucesso foi “Triste Fim de Policarpo Quaresma”. O autor dedicou sua vida a escrever sobre a diferença racial e esteve sempre atento e militante.

    Confira lista dos 20 livros mais vendidos na Livraria da Travessa durante a Flip:

    • – “Na Minha Pele” (Companhia das Letras), de Lázaro Ramos
      – “A Mulher de Pés Descalços” (Nós), de Scholastique Mukasonga
      – “Com o Mar Por Meio: Uma Amizade em Cartas” (Companhia de Letras), de Jorge Amado e José Saramago
      – “Lima Barreto: Triste Visionário” (Companhia das Letras), de Lilian Schwarcz
      – “Nossa Senhora do Nilo” (Nós), de Scholastique Mukasonga
      – “Diário do Hospício / O Cemitério dos Vivos” (Companhia das Letras), de Lima Barreto (Org.: Augusto Massi e Murilo Marcondes de Moura)
      – “Esse cabelo”  (LeYa), Djaimilia Pereira de Almeida
      – “Insubmissas Lágrimas de Mulheres” (Malê), de Conceição Evaristo
      – “Para Educar Crianças Feministas” (Companhia das Letras), de Chimamanda Ngozi Adichie
      – “O Vendido” (Todavia), de Paul Beatty
      – “Caderno de Rimas do João” (Pallas), de Lázaro Ramos
      – “Bíblia: Novo Testamento – Os Quatro Evangelhos” (Companhia das Letras), tradução de Frederico Lourenço
      – “A Resistência” (Companhia das Letras), de Julian Fuks
      – “Sejamos Todos Feministas” (Companhia das Letras), de Chimamanda Ngozi Adichie
      – “Sem Vista Para o Mar” (Hedra), de Carol Rodrigues
      – “Pela Boca da Baleia” (Tusquets), de Sjon
      – “Lima Barreto: Cronista do Rio” (Autêntica), de Beatriz Resende
      – “O Que Os Cegos Estão Sonhando” (Editora 34), de Noemi Jaffe
      – “Breve História de Sete Assassinatos” (Intrínseca), de Marlon James
      – “O Livro Aberto: Leituras da Bíblia” (Oficina), de Frederico Lourenço

     

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