Crítica: “Malasartes” narra fábula caipira com efeitos visuais

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    Paris Filmes/Divulgação

    “Malasartes e o Duelo com a Morte” aposta em uma quantidade gigantesca de efeitos visuais para narrar a saga de um trambiqueiro incurável. Vivido por Jesuíta Barbosa, o personagem-título é acostumado a enganar quem vê pela frente: de Áurea (Ísis Valverde), sua namorada, ao bravo irmão dela, Próspero (Milhem Cortaz), com quem ele tem uma dívida preocupante.

    Com direção de Paulo Morelli (“Cidade dos Homens”), o filme tenta inaugurar um novo tipo de programa popular no cinema brasileiro: algo que se situe entre o blockbuster americano cheio de artifícios visuais e um produto genuinamente nacional, com personagens fortemente identificados com a nossa cultura, o nosso jeito de ser e de ver a vida.

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    Não por acaso, Pedro Malasartes é o que se pode chamar de um caipira malandro, marrento, mas boa pessoa. Com elementos que lembram tanto literatura de cordel quanto o clima de época das novelas das seis, o jovem agora precisa tapear a Morte (Júlio Andrade), que zanza pela Terra em busca de um substituto.

    Fábula tem carisma, mas carece de identidade própria
    É quando “Malasartes”, o filme, consegue forjar uma mitologia em escala inédita no cinema brasileiro. Em um mundo paralelo obscuro fabricado digitalmente, a Morte se encastela no topo de uma montanha na companhia de Esculápio (Leandro Hassum), seu assistente.

    Mais abaixo, um trio de bruxas (Vera Holtz, Luciana Paes e Julia Ianina) fia cordas em teares que se estendem até um mar de velas acesas. Ali, sob os olhares da Morte, as tramas da vida embalam nossas histórias.

    Apesar de alguns efeitos não se encaixarem tão bem nas interações com os atores, o maior problema do filme está na construção dos personagens. Tanto que o sonso e amigável Zé Candinho (Augusto Madeira) rende mais interesse do que o romance entre Malasartes e Áurea ou as disputas místicas entre o caipira malandro e a Morte.

    “Malasartes” tenta ser uma espécie de “O Auto da Compadecida” (2000) renovado digitalmente para fisgar as plateias atuais.

    Há um carisma irresistível nessa fábula do homem sofrido, mas destemido diante até mesmo da morte – nada mais brasileiro do que não se deixar abater por nada, afinal. Mas talvez tenha faltado ao filme justamente um fôlego próprio para além dos penduricalhos digitais.

    Avaliação: Regular

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