TV paga em crise: por mês, mil pessoas cancelam o serviço no DF

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    Arte/Joelson Miranda/Metrópoles

    Netflix, YouTube, serviços on demand — o consumo de conteúdos passou por uma revolução nos últimos três anos. “House of Cards”, “Os Defensores”, “Orange Is The New Black”, “Transparent” são alguns dos recentes hits televisivos produzidos e vistos, exclusivamente, na internet. A mudança de rumos do entretenimento, somada à crise econômica, impactou um serviço tradicional: a TV por assinatura.

    Os dados da Agência Nacional de Telecomunicações são implacáveis. Em 12 meses (maio de 2016 a maio de 2017), 12,4 mil assinaturas foram desfeitas no Distrito Federal. Cerca de mil cancelamentos mensais. Nacionalmente, a situação segue pessimista: durante um ano, 262,5 mil famílias deixaram de usufruir do serviço.

    Arte/Metrópoles

    A queda, no período de dois anos, é ainda maior: 20 mil assinaturas canceladas

    Preços altos e novas formas de consumo de conteúdo ajudam a explicar os problemas enfrentados pelas operadoras. No Brasil, os pacotes oferecidos custam a partir de R$ 49,90. Em um período de crise econômica, a TV paga está na linha de frente dos cortes orçamentários das famílias.

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    Claudia Quariguazy não hesitou em explicar o motivo de cancelar a TV por assinatura: “Estava muito caro!”. A professora readequou a forma de consumir filmes, séries e, até mesmo, jornalismo. Pela internet, ela se mantém informada, ouve música e assiste aos programas prediletos.

    Briga pela atenção
    O cenário econômico brasileiro — com 13,4 milhões de desempregados — não é a única razão da queda da TV paga. A mudança no consumo e a disputa pela atenção dos telespectadores são elementos necessários nessa equação.

    As operadoras chegaram ao Brasil em 1995, após a aprovação da Lei do Cabo (nº 8.977). Naquela época, o consumo de informações era linear. Para ver um programa, o telespectador era obrigado a esperar uma hora específica. Mais de 20 anos depois, a situação está diferente. Com diversas opções, a qualquer horário, emissoras e produtores de conteúdos vivem em um verdadeiro leilão em busca da atenção do consumidor.

    “O que existe é um processo de transformação da indústria. A sociedade tem buscado o conteúdo sob demanda. É uma gradativa troca de conteúdos lineares por não lineares”, avalia Abraão Balbino, superintendente de competição da Anatel.

    O especialista é enfático ao comentar a crise: “A TV por assinatura tradicional tende a morrer”. Abraão prevê que, em um futuro próximo, os produtores terão aplicativos próprios para vender seus conteúdos. Fato observado no recente anúncio da Disney de construir o seu serviço de streaming.

    No cenário traçado, em breve, as operadoras de TV a cabo passariam a vender acesso à internet e o comércio de conteúdos ficaria a cargo dos produtores. Em outras palavras, cada canal viraria uma Netflix.

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