Alice, novo disco de Alice Caymmi, é uma resposta aos conservadores que insistem em afirmar uma piora da MPB. Bobagem! O enxuto álbum (apenas 9 faixas) é experimental, inovador, técnico e agradável na medida certa.
Pode parecer uma adjetivação excessiva, mas Alice traz um frescor necessário à música nacional: pop, como na interessante Eu Te Avisei (parceria com Pabllo Vittar), romântica em Agora e eletrônica, nas boas Inimigos (feat. Rincon Sapiência) e A Estação.



O flerte com o eletrônico é, de fato, a marca da nova geração Caymmi. A cantora se distância do peso do sobrenome e trilha caminho próprio, destacando-se como uma das melhores vozes desta excelente geração. Alice, definitivamente, se junta a nomes como Letrux, Rincon Sapiência e Baco Exu do Blues, ascendentes dessa “eletro-pop-MPB”.
As temáticas refletem o ar moderno proposto pela cantora nesse terceiro disco de estúdio – sucedendo Alice Caymmi (2012) e Rainha dos Raios (2014). Em Vin, de autoria da intérprete, ela fala das liberdades femininas em um mundo que precisa aprender a respeitar essa dura conquista. Da mulher independente, capaz de falar só quando está afim, ela vem romântica em Agora.
A faixa, uma crônica do momento presente, discute impulsividade e a dificuldade de esperar “porque te amo agora”. De voz rasgada e melodia (ao piano) melancólica, a canção é um mergulho de dor em um poço de desejo.
Vale destacar também Eu Te Avisei. A música que encerra o disco é o arremate da mini-história contada por Caymmi. “Mas eu confesso que foi bom demais te ver ligar e não te atender. Você que me assinou”, diz um dos versos, entremeado por uma eletrônica batida pop.
Alice é daqueles discos difíceis de escolher uma música favorita. Boa unidade: talvez menos impactante do que Rainha dos Raios, mas uma continuidade deliciosa de ouvir.
Avaliação: Bom





















