Patinetes elétricos circulam sem regras e entram na mira do Detran-DF

    0
    201

    Três meses já se passaram desde que o aluguel de patinetes elétricos foi lançado no Plano Piloto e em Águas Claras. O uso do novo meio de transporte já se tornou uma febre entre os moradores dessas regiões. O problema é que a circulação deles ainda não está regulamentada.

    É comum vê-los dividindo espaço com os carros, ônibus e caminhões em ruas movimentadas e nas calçadas, entre pedestres. O Metrópoles flagrou o equipamento levando pai e filho. Não é raro também vê-lo em disputas de “rachas” entre adolescentes.

    Procurada pela reportagem, a Secretaria de Mobilidade informou que o GDF está elaborando um projeto de lei para definir uma política cicloviária para incentivo ao uso de bicicletas e patinetes. Já o Departamento de Trânsito (Detran-DF) afirmou que agendou reunião esta semana para tratar do assunto.

    Até que normas sejam criadas especificamente para a modalidade de transporte, vale, segundo o órgão, o que está estabelecido no artigo 2º da  Resolução 465/2013: a circulação desses veículos é permitida “somente em áreas de pedestres, ciclovias e ciclofaixas”.

    Ainda assim, devem ser atendidas as condições de velocidade máxima de 6 km/h em áreas de circulação de pedestres; velocidade máxima de 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas e uso de indicador de velocidade, campainha e sinalização noturna, dianteira, traseira e lateral, incorporados ao equipamento. No exterior, como em Washington (EUA), por exemplo, apenas quem tem Carteira de Habilitação pode dirigir um patinete elétrico.

    As autoridades não sabem a quantidade de patinetes que circulam pelas ruas do DF e as empresas que fornecem o serviço, acionada pelo Metrópoles, também não informaram o número.

    A única orientação que o locatário recebe ao subir nos patinetes, até o momento, é a leitura e assinatura do termo de uso que as empresas Yellow e Grin disponibilizam. Mesmo assim, esses avisos são ignorados. É o caso da idade mínima que exigem para a liberação do uso. Embora esteja escrito que apenas maiores de 18 anos possam utilizar o serviço, é possível ver menores conduzindo o veículo elétrico.

    Águas Claras
    Em Águas Claras, os patinetes dominam. O point deles é no Parque Ecológico da cidade. Crianças, adolescentes e adultos se divertem sobre as duas rodas. “A gente está pegando aqui para brincar, dar uma volta”, disse Miguel Souza, 14 anos.

    O uso, entretanto, não se restringe aos momentos de lazer. João Marcelo Campos, por exemplo, contou que já utilizou o patinete elétrico para ir à escola: “Tem sido um uso diário. Demoro cerca de sete minutos do colégio à minha casa, é bem prático”.

    Igo Estrela/Metrópoles

    Miguel se diverte fazendo manobras com a novidade

     

    Carlos Henrique Quaresma também usa o veículo no trânsito de Águas Claras. Para ele, a falta de regulamentação não é um problema. “A gente tem que ter consciência e fazer a nossa parte. É respeitar a velocidade, por exemplo. Por enquanto tem sido boa a relação com carros e pedestres”, avalia.

    Outra recomendação feita pelos apps que não é observada pelos condutores é o limite de velocidade.  Matheus de Melo, 22, que cursa Recursos Humanos, desconhecia a orientação de que só podia andar até de 20km/h em ciclovias e ciclofaixas e até 6km/h em calçadas: “Nem sabia dessa restrição, mas também não tenho visto nada de mais. O relacionamento entre os carros e patinetes até agora tem sido bem tranquilo”.

    Matheus Garzon/Metrópoles

    Matheus de Melo crê que os patinetes vieram para ficar

     

    Se os usuários dos patinetes afirmam não terem tido qualquer aborrecimento em decorrência do uso pela cidade, motoristas também não reclamam da novidade. “Já vi algumas vezes, mas não atrapalha, acho que é tudo questão de bom senso. Por enquanto, o uso tem sido igual de bicicleta”, disse o concurseiro João Henrique Mendonça, 25.

    A publicitária Aline Pinho, 39, também afirma não ter enfrentado problemas: “Não aconteceu nada, mas creio que precisa de alguma orientação. Acho que ainda não encontraram o lugar do patinete no trânsito”.

     

     

     

    Matheus Garzon/Metrópoles

    Patinetes são usados no meio do trânsito. Ainda há o perigo de serem deixadas muito perto da pista

     

    Nova modalidade
    De acordo com o porta-voz do Detran, Glauber Peixoto, o patinete elétrico é uma modalidade de veículo muito nova e, por isso, é necessário que alguns procedimentos sejam criados para regulamentar a circulação dele.

    “Ainda não paramos para conversar sobre isso, por ser uma coisa muito recente. Já convocamos para a semana uma reunião com todos os responsáveis pelo trânsito no DF e pretendemos passar recomendações mais claras”. O encontro deve servir também para enviar ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) pedido para que regras específicas sejam criadas.

    Peixoto explicou que os patinetes não devem circular entre os carros: “Não vai poder andar pelas vias de trânsito. Além disso, vamos recomendar que os transportes não sejam deixados perto da pista, pois temos recebido reclamações do perigo que isso envolve”.

     

    Artigo anteriorGDF lança programa de Turismo Cívico durante a troca da bandeira
    Próximo artigoMorre Lulu Landwehr, romena sobrevivente do Holocausto radicada no DF

    Deixe uma resposta