Para as calendas

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Nas últimas semanas, período em que o jornal Cruzeiro do Sul publicou uma série de reportagens sobre os problemas da rodovia Raposo Tavares no trecho que corta o perímetro urbano de Sorocaba, com suas marginais e alças de acesso mal projetadas, o número de colisões, tombamentos e capotamentos só aumentou, além dos congestionamentos, resultado do aumento do trânsito nesta época do ano, por conta dos hipermercados e shopping centers presentes nas margens da rodovia.

Ao mesmo tempo aumenta o coro dos motoristas descontentes, principalmente aqueles que precisam usar a rodovia diariamente e que estão cientes dos riscos que enfrentam a cada quilômetro da estrada.

Ouvindo motoristas profissionais, a reportagem do jornal confirmou os pontos mais problemáticos da rodovia no trecho que vai do km 91 ao km 110, 19 quilômetros de trânsito intenso e perigoso.

Os locais mais complicados lembrados pelos motoristas e que exigem dose extra de paciência e cuidado são aqueles localizados próximos às alças de conexão com avenidas e ruas da malha urbana de Sorocaba.

O sistema de conexão com a avenida Pereira Inácio é lembrado pela lentidão no trânsito.

Foram instalados retornos e semáforos na avenida para diminuir o risco de acidentes, mas com isso surgiu um grande ponto de congestionamentos.

O sistema de alças que permite o acesso às avenidas Antônio Carlos Comitre e Izoraida Marques Peres, no Campolim, também é muito lembrado pelos motoristas, assim como o acesso à rodovia João Leme dos Santos e um pouco mais à frente, a ligação com a rua Antônio Aparecido Ferraz.

Em muitos desses locais faltam áreas de aceleração e desaceleração condizentes com a rodovia, o que os tornam extremamente perigosos.

Esse trecho perigoso da rodovia Raposo Tavares foi construído na década de 1950 justamente para afastar o trânsito pesado da região central de Sorocaba, mas acabou engolido pela malha urbana.

De uma região tipicamente rural se transformou em área onde se misturam indústrias, grandes centros comerciais, bairros residenciais e, mais recentemente, condomínios.

Essa expansão da cidade naquela direção fez com que os sorocabanos pressionassem as autoridades para, em primeiro lugar duplicar a Raposo Tavares, uma das mais antigas rodovias pavimentadas do Estado de São Paulo.

A duplicação do trecho não foi suficiente para diminuir o número de acidentes nem congestionamentos e foi novamente sob pressão da população que o governo estadual e a concessionária da rodovia concordaram em construir as marginais, justamente para facilitar a ligação entre a via e as avenidas e ruas de Sorocaba.

No mês de março do ano passado foi inaugurado próximo ao km 106 o Hospital Regional Dr. Adib Domingos Jatene e mais um problema foi criado e até agora não resolvido.

O hospital passou a funcionar sem ter acesso adequado, um perigo para as pessoas que precisam ir ao local e que para lá se dirigem tanto de carro como de transporte público.

Como foi denunciado em várias oportunidades por este jornal, o paciente ou visitante que chega de ônibus de outros municípios — afinal o hospital é regional — chegam a pular guard-rail e atravessar as pistas arriscando a vida, visto que nem uma passarela foi construída no local.

A construção tanto do acesso mais adequado como da passarela estão no centro de um empurra-empurra entre a Secretaria dos Transportes, Artesp, que representa a concessionária da rodovia, o DER e a Prefeitura de Sorocaba.

O secretário estadual de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto, esteve ontem em Sorocaba para inaugurar a torre de controle do Aeroporto Estadual de Sorocaba Bertram Luiz Leupolz.

Ele falou que com relação ao acesso ao novo Hospital Regional há uma proposta da Prefeitura que simplifica o projeto de alça da concessionária.

Essa solução, segundo ele, engloba a passarela e está sendo discutida com a Artesp, ou seja, há uma tênue esperança de que a questão seja solucionada em tempo indeterminado.

Quanto aos demais acessos e alças, Machado Neto reconheceu que o movimento é intenso na rodovia e suas marginais, mas não vê uma saída no curto prazo.

Para ele é complicado alterar o contrato com a concessionária e por isso a Secretaria de Transportes está tentando criar uma condição de diálogo entre concessionária e município para que os futuros projetos sejam adequados às necessidades do município e à realidade da concessionária.

Em outras palavras, nenhuma solução à vista.

Mesmo diante da gravidade da situação o secretário não acenou ao menos com uma discussão mais profunda com a concessionária, mesmo que alguma alteração contratual tenha de ser feita.

Portou-se como todos os seus antecessores na Pasta quando existem problemas nas rodovias na região de Sorocaba: jogou a solução para as calendas gregas.

Ou quem sabe, até as vésperas da próxima eleição para o governo estadual quando um súbito interesse pelos problemas da nossa região tomar conta do ocupante do Palácio dos Bandeirantes.

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