Metas para 2022: vamos nos comprometer a jogar menos comida no lixo?

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Como o ano está começando e esta época nos estimula a traçar metas para os próximos meses, hoje eu quero trazer uma abordagem necessária. Muita gente pensa que gastronomia é só aquilo que é colocado na mesa. No Instagram, por exemplo, vemos milhares de perfis nos bombardeando diariamente com pratos maravilhosos em mesas de restaurantes ao redor do mundo. O que vejo pouco é a conscientização de que a gastronomia é muito mais do que isso. Na verdade, esta cadeira produtiva reúne vários elos interligados e, consequentemente, com problemas que precisam ser debatidos.

A conversa aqui vai parecer enfadonha para alguns, mas não dá para ignorar o desperdício de alimentos, um dos problemas mais contundentes das sociedades modernas. Cresci numa família em que jogar comida fora era um pecado. Talvez por isso me cause tanta tristeza ver que, somente em 2019, o planeta desperdiçou 931 milhões de toneladas de comida, o que corresponde a 17% da produção mundial.

Mas o que temos a ver com isso? Tudo! Afinal de contas, 60% desse montante foi jogado no lixo pelos consumidores E nós, brasileiros, desperdiçamos 60 quilos per capita naquele ano. Os dados são do último levantamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da organização britânica de resíduos WRAP.

Então, o que eu quero aqui é chamar a sua atenção para este problema, não apenas pela questão social, mas pelo fato de mais gente estar passando fome por conta da pandemia. Tem também as razões ambientais, tendo em vista que todo este lixo ainda contribui para o aumento das emissões de gases na atmosfera.

E qual seria a solução? Primeiramente, precisamos prestar mais atenção àquilo que compramos. Eu sou daquelas que faz uma vistoria na geladeira e nos armários e elaboro uma lista antes de ir ao supermercado. Isso ajuda a não esquecer nada e a não levar para casa o que não é necessário.

Também procuro ir ao verdurão uma vez por semana. Dessa maneira, tenho sempre produtos frescos à disposição e evito adquirir o que ainda tenho na geladeira. Quantidades adequadas, tanto de compra quanto de preparo, geram menos resíduos.

Outra maneira é utilizar os alimentos por completo. Usou as folhas de agrião para a salada? Guarde os talos para o seu suco verde do dia seguinte ou mesmo para uma sopa. Cascas e sementes são cheias de nutrientes, especialmente as orgânicas, e podem virar snacks interessantes depois de passarem alguns minutos no forno.

Se estiver sem inspiração, canais no Youtube te ajudam nessa missão de aproveitar totalmente os alimentos. Alguns que eu gosto são o do Senac, da Bela Gil e do Instituto Brasil a Gosto.

Algumas sobras de hortaliças também podem ser plantadas e te ajudarem a ter uma hortinha em casa. Para quem tem espaço no quintal ou mesmo uma varanda no apartamento, esta dica é bem boa.


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Minha mãe dizia que a panela não vai sair correndo do fogão para alertar às quantidades de comida que eu e meus irmãos colocávamos no prato. O ideal é a gente se servir com porções menores e repetir se ainda houver fome.

Precisamos ficar atentos às datas de vencimento de laticínios e outros alimentos processados, para consumi-los antes de deteriorarem. Uma dica boa é etiquetá-los, colocando a data em evidência.

A organização da geladeira e dos armários também são fundamentais. Os alimentos que estão prestes a vencer devem ficar mais à mostra para não serem esquecidos.

Alimento feio também tem nutriente. Então, aquela banana que já está mais escurecida pode virar vitamina, doce e até compor uma farofa. Lembro bem que a minha mãe fazia muita salada de fruta aproveitando o mamão e a maçã já meio passados. Também dá pra fazer suco e outras receitas. O importante é não jogar fora.

Espero não ter sido chata. E que seu ano seja tudo de bom, inclusive, mais consciente. Você vem nessa comigo?

Para mais dicas de gastronomia, siga @lucianabarbo no Instagram.

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