
Odiado pela vizinhança, vítima implacável de seu mau humor atroz, Ove, um metódico incorrigível, parece ter construído uma trincheira de ódio e hostilidade invisível diante de todos aqueles que tentam cruzar o seu caminho. “Isso não é um cão. Parece mais uma bota de inverno com olhos”, ironiza, debochando do totó de uma das moradoras do lugar.
Mas essa barreira de antipatia não parece intimidar Parvaneh (Bahar Pars), uma mulçumana boa de tempero e papo que desarma as malcriações desse grandão rude tanto pelo paladar, quanto pelo afeto. Assim, aos poucos, Ove vai se soltando, revelando que tem um grande coração, apenas congelado pelas agruras da vida, tragédias pessoais do passado que o espectador vai tomando ciência por meio de flashbacks elucidativos e dramáticos.
Indicação sueca ao Oscar 2017
Baseado em best-seller homônimo traduzido para 38 idiomas e quase 3 milhões de cópias vendidas, esse drama com pitadas de humor cáustico foi o representante sueco na corrida do Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. Se pensarmos que a corrida na categoria teve como vencedor conterrâneos de peso como Ingmar Bergman, tal indicação na maior festa do cinema soa até irrisória. Mas não é bem assim.
Isso porque, “Um Homem Chamado Ove”, dirigido por Hannes Holmes, tem lá seus encantos. O maior deles, claro, o personagem ranzinza do título, que faz um tipo que adoramos amar. Conduzido com maestria pelo ator Rolf Lassgård, bem maquiado, ele perfila galeria de Hollywood com dezenas de similares. Um dos mais marcantes, por exemplo, o intratável Boris Yellnikoff de Larry David na comédia de Woody Allen, “Tudo Pode Dar Certo” (2009).
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Nas palavras de seu criador, um autêntico personagem sueco, Ove, no fundo, não é um mal sujeito. Seu mau humor quase infantil que lhe confere uma natureza amarga, tem caráter existencialista, causado por traumas do destino. O que, apesar da leve tinta caricata, lhe dá um toque universal. Até porque, em menor ou maior grau, de forma incisiva ou não, somos todos, vítimas do acaso.






















