Cinco lições importantes do livro Como Morrem As Democracias

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    O mercado editorial brasileiro está aquecido neste período eleitoral: são vários títulos debatendo política que chegaram às livrarias. Na lista de mais vendidos, atualmente, configuram o título Como As Democracias Morrem, do cientistas políticos norte-americanos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt.

    O obra ganhou, graças à polarizada disputa entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), ares de best-seller político: é citada em reportagens jornalísticas, rodas de conversa e, principalmente, grupos de WhatsApp. A tradução para o português é da Editora Zarar – ocupando a quarta posição entre os mais vendidos do Brasil.

    Ao longo das páginas, os dois pesquisadores, especialistas no estudo de regimes democráticos, mostram elementos essenciais para a manutenção e conservação da democracia. Basicamente, eles apontam o fortalecimento das instituições (legislativo, judiciário, partidos políticos etc) como uma salvaguarda ao nascimento de modelos autoritários de governo.

    Veja palestra de Steven Levisty no Instituto FHC:

    O Metrópoles enumerou 5 lições de Como As Democracias Morrem:

    1. Teste do nível de autoritarismo
    Baseados em estudos precedentes, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt apresentam quatro indicadores para ver se um político tem ou não perfil autoritário. Os quesitos apontados são: 1) rejeição (ou comprometimento fraco) com as regras do jogo democrático; 2) negação da legitimidade dos oponentes políticos; 3) tolerância ou encorajamento à violência; e 4) prontidão para reduzir as liberdades civis dos oponentes, incluindo a mídia.

    Vinícius Santa Rosa/Metrópoles

     

    2. Fortalecimento das instituições
    Parlamento, Judiciário, partidos políticos, Ministério Público e outras instituições democráticas são elementos essenciais para a manutenção de regimes democráticos. Não à toa, governantes autoritários tendem a impôr políticas visando enfraquecer essas instâncias. Nada mais perigoso!

    Reprodução

     

    3. Regras vs. Normas
    Analisando o caso norte-americano, os estudiosos diferenciam regras constitucionais das normas – espécie de conjunto de costumes presentes no mundo político. Para eles, esses últimos são essenciais na manutenção da democracia, pois definem quais são os comportamentos não-aceitáveis, mesmo que legais, dos agentes políticos.

    4. Polarização, um perigo
    Essa lição, os brasileiros conhecem bem. Steven Levitsky e Daniel Ziblatt alertam para o potencial destrutivo da polarização. “Tolerância mútua [entre adversários políticos] refere-se á ideia de que os rivais jogam de acordo com as regras constitucionais e de que aceitamos seu direito a existir”, escrevem os cientistas. Quando partidos opostos se tratam com inimigos, dizem, a tendência a se utilizar de meios antiéticos e abusivos cresce.

    EPA

     

    5. Contestação do sistema
    Durante a campanha presidencial, Trump (foto acima) afirmou categoricamente que não aceitaria os resultados das eleições caso não fosse o vencedor – qualquer similaridade com as declarações feitas por Jair Bolsonaro não parecem mera coincidência. Os pesquisadores apontam, no entanto, os riscos de se colocar em cheque o sistema democrático. Ao desacreditar a veracidade das urnas, candidatos estimulam teorias da conspiração e não praticam a tolerância mútua, opinam os especialistas.

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