Em tempos de polarização política, o clima tenso por discordâncias sobre o tema se tornou comum. Mas o problema tem piorado: casos recentes de discussões e divergências políticas que resultaram em fins trágicos, com violência e morte, provam que o cuidado deve ser redobrado em ano de eleições. O que fazer, então, quando o assunto chega ao ambiente profissional?
É inevitável que, em algum momento, um colega de trabalho comente sobre a temática. Especialistas ressaltam que se envolver em conversa sobre política não é um erro — desde que seja feita de forma equilibrada, objetiva e respeitosa.
“O ambiente de trabalho é, talvez, onde mais vivemos a política. Abordar esse tema no trabalho não é um erro, mas é preciso uma boa leitura do quanto o espaço está seguro para isso. Falo de segurança psicológica e física também”, indica Ana Tomazelli, psicanalista e especialista em gestão de pessoas.
Tomazelli defende que discussões têm tudo para ser saudáveis em qualquer ambiente, desde que o objetivo da conversa esteja claro e se preste atenção em alguns pontos fundamentais.
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Getty Images
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Janela partidária: entre 3 de março e 1º de abril, deputadas e deputados federais, estaduais e distritais poderão trocar de partido para concorrer às eleições sem perder o mandato
TSE/Divulgação
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Transferência do título: em 4 de maio vence o prazo para que eleitores realizem operações de transferência do local de votação e revisão de qualquer informação do Cadastro Eleitoral
Getty Images
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Quem tem mais de 18 anos e ainda não possui título eleitoral também tem até 4 de maio para solicitar a emissão do documento pelo sistema TítuloNet
TSE/Divulgação
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Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que queiram votar em outra seção ou local de votação têm entre os dias 18 de julho e 18 de agosto de 2022 para informar à Justiça Eleitoral
Agência Brasil
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Quantitativo do eleitorado: em 11 de julho, o TSE publicará o número oficial de eleitores aptos a votar. O quantitativo serve de base para fins de cálculo do limite de gastos dos partidos e candidatos nas respectivas campanhas
Getty Images
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Composição da mesa receptora de votos: entre 5 de julho e 3 de agosto, serão nomeados os eleitores que farão parte das mesas receptoras de votos e de justificativas. Também serão escolhidas as pessoas que darão apoio logístico nos locais de votação
TSE/Divulgação
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Convenções partidárias e registros de candidatura: é nesse período que os partidos fazem deliberações sobre com quem vão coligar e escolhem seus candidatos oficiais às eleições
Câmara Legislativa/Divulgação
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Voto em trânsito: eleitores que estarão fora de suas regiões de votação na data da eleição podem solicitar entre 12 de julho e 18 de agosto o voto em trânsito, indicando em que cidade estarão no dia do pleito
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Propaganda eleitoral: a realização de comícios, distribuição de material gráfico, caminhadas ou propagandas na internet passam a ser permitidas a partir do dia 16 de agosto
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Data da eleição: o primeiro turno do pleito acontecerá no primeiro domingo de outubro, dia 2. Um eventual segundo turno será realizado no dia 30 do mesmo mês. A votação começará às 8h e terminará às 17h, quando serão impressos os boletins de urna
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Datas de posse: para os cargos de presidente e vice-presidente da República, bem como de governador, a posse ocorre em 1º de janeiro de 2023. Parlamentares assumem os mandatos em 1º de fevereiro
Agência Brasil
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Como discutir de forma saudável?
É possível, sim, ter uma discussão agradável sobre política. A psicanalista lista pontos que ajudam a conduzir a conversa: “Primeiro, é importante ouvir com o vazio de si e tentar compreender o que você não sabe, no sentido de ter uma curiosidade genuína para descobrir como aquela outra pessoa pensa e qual é a história que a leva até ali.”
A partir da escuta, observe o que o próprio corpo sente e os pensamentos que vêm à mente. “Por que será que algo te provoca uma reação como irritação, impaciência, êxtase ou contentamento, por exemplo?”, levanta Tomazelli.
Falar com calma e propriedade talvez seja uma das principais chaves, aponta a especialista. “Perguntas são mais bem-vindas do que respostas. E posicionamentos podem ser expostos sem atacar o que é contrário.”
Carolina Martins, especialista em recursos humanos, reforça a importância de respeitar opiniões diferentes e saber a hora de encerrar a conversa. “Ao conversar sobre o tema, é importante focar em ideias e ideais e não em partidos/candidatos”, complementa.
Não ceder às provocações
Antes de iniciar um debate sobre política, é preciso saber quais são os próprios limites em relação à saúde mental. Carolina Martins aconselha exercitar o autocontrole para que as discussões não afetem as relações profissionais e o clima organizacional. “Não ceder às provocações, apesar de desafiador, é a melhor atitude a ser tomada.”
E quando a provocação vem de um chefe? Nesse caso, Tomazelli sugere buscar dispositivos internos de reclamação e denúncia. “Obviamente, figuras hierárquicas superiores exercem o poder de definir o seu futuro. Se você não sente segurança em se posicionar, encontre quem tem o mesmo tamanho e força que a pessoa para se aliar e pedir ajuda”, aponta.
Violência política
Em 8 de setembro, uma briga por motivação política entre funcionários da mesma empresa em Confresa (MT) chocou pelas proporções que tomou. O bolsonarista Rafael Silva de Oliveira matou o próprio colega de trabalho com 17 facadas após divergências. A vítima era defensora do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e quase foi decapitada com golpes de machado.
Outro episódio terminou em morte em Foz do Iguaçu (PR), em 9 de julho. O guarda municipal Marcelo Arruda comemorava 50 anos de vida, em uma festa com a temática do PT, quando o policial penal federal Jorge Guaranho invadiu o espaço e o assassinou a tiros, após gritar “Aqui é Bolsonaro!”.
Pesquisa do Instituto Datafolha dessa quinta (16/9) mostra que cerca de 3,2% da população afirmam que foram ameaçados, nos últimos 30 dias, em razão da escolha partidária ou política. Além disso, dois em cada três brasileiros (67,5%) têm medo de agressão física pelo mesmo motivo.
Abordar temas políticos é sempre delicado, e, quanto mais as eleições se aproximam, mais acalorados ficam os ânimos. “Preferencias políticas extremistas podem gerar conflitos e colocar o trabalho e o próprio profissional em risco, por isso, o melhor a se fazer é evitar expor opiniões partidárias no ambiente de trabalho”, reitera Carolina Martins.
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