Medidas protetivas são impostas a ex-conselheiro tutelar de Santa Maria por pedido da ex-mulher

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Ex-conselheiro foi investigado por violência doméstica (Lei Maria da Penha) em 2025 e na Operação Degola, em 2023, por fraude eleitoral

Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Santa Maria acatou pedido do Ministério Público e determinou a concessão de medidas protetivas em favor da ex-mulher do ex-conselheiro tutelar de Santa Maria (DF), Hessley Brito dos Santos (foto em destaque). A decisão foi divulgada na última segunda-feira (16/2).

A nova denúncia foi registrada em 12 de fevereiro, na 33ª Delegacia de Polícia. O caso é apurado como difamação, injúria, ameaça e violência psicológica contra a mulher, no âmbito da Lei Maria da Penha.

De acordo com o MP, Hessley não pode:

  • se aproximar da ofendida a menos de 300 metros
  • qualquer contato com a ex (telefone, WhatsApp, redes sociais, etc.)
  • frequentar a residência, trabalho e igreja da vítima, além da escola dos filhos

O descumprimento das medidas pode gerar prisão preventiva e virar crime autônomo (art. 24-A da Lei Maria da Penha). A decisão tem cumprimento imediato.

Hessley, até dezembro do ano passado, era técnico assistente social da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social do Distrito Federal. No último mês de 2025, ele recebeu, líquido, o salário de R$ 13.610,86, conforme o descritivo do Portal da Transparência.

  • Hessley já havia sido alvo de investigação por violência doméstica com base na Lei Maria da Penha, em 2025, contra a ex.
  • Em 2023, ele foi um dos investigados na Operação Degola, que apurou um esquema para fraudar as eleições do Conselho Tutelar do DF.
  • Em 28 de março de 2025, Hessley que é servidor do GDF invadiu o local de trabalho de outra mulher e a agrediu.
  • Ele xingou a vítima de “puta”, “vagabunda” e “desgraçada”. O caso foi investigado pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I.

Ameaças e ofensas

Na ocorrência registrada na Polícia Civil, a ex relata ter mantido relacionamento amoroso com Hessley por sete anos, sendo 10 anos de casamento. O divórcio judicial ocorreu há quatro anos. Da relação, nasceram dois filhos: uma adolescente de 13 anos e um menino de 4.

Segundo a denunciante, após a separação, o ex-companheiro passou a ofendê-la com frequência, bem como seus familiares, além de aparecer de forma inesperada em locais que ela frequenta, como a escola das crianças, a residência e a igreja.

“Ruim igual à mãe”

O principal motivo do registro da ocorrência, no entanto, teria sido o tratamento dispensado à filha do casal. Conforme o relato, a adolescente passou a ser alvo de xingamentos, humilhações e tratamento diferenciado em relação ao irmão.

A mãe afirma que o pai teria dito que a menina era “ruim igual à mãe” e que deveria respeitar a madrasta mesmo sem ter cometido qualquer erro. A situação, segundo a denunciante, deixou a jovem com medo.

Detalhes:

  • A comunicante afirma que a filha não deseja mais permanecer na convivência com o pai, em razão das ofensas e do temor que sente.
  • O filho mais novo também demonstrou medo de ficar sob os cuidados do pai, após presenciar as situações envolvendo a irmã.
  • Ainda de acordo com o relato, a mãe afirma que demorou a procurar a polícia por receio de que o ex-companheiro.
  • Por conhecer a legislação — já que atuou como conselheiro tutelar — ela achava que ele pudesse reverter a guarda das crianças.
  • Ela sustenta que ele teria afirmado que ela “se arrependeria” caso registrasse ocorrência.

Violência psicológica e traição

Embora afirme que não houve agressões físicas, a ex-companheira relata histórico de violência psicológica, ciúmes excessivos e intimidações.

Ela diz que o relacionamento terminou, principalmente, após a descoberta de um caso extraconjugal. Ainda houve uma tentativa de reconciliação por uma semana — quando o filho mais novo tinha apenas três semanas de vida — período que, segundo ela, foi marcado por ofensas e humilhações constantes.

Fraude nas eleições

Em 2023, Hessley foi alvo da Operação Degola, conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). A investigação apurou invasões a contas de candidatos no processo de escolha de conselheiros tutelares do DF.

De acordo com as apurações, invasores teriam acessado o sistema da empresa responsável pelo certame e inserido documentos incorretos nas inscrições de concorrentes — em sua maioria candidatos à reeleição — com o objetivo de provocar a eliminação deles ainda na fase de análise documental.

A operação resultou no cumprimento de três mandados de busca e apreensão em Santa Maria (DF). Foram apreendidos notebooks, celulares e um simulacro de arma de fogo. O material foi encaminhado para perícia.

À época, após a deflagração da operação, Hessley foi exonerado do cargo de gerente de Políticas Sociais da Administração Regional de Santa Maria.

Os investigados podem responder por crimes como falsa identidade, invasão de dispositivo informático qualificada e associação criminosa, cujas penas somadas podem chegar a até dez anos de prisão.

A coluna Na Mira tenta localizar a defesa de Hessley Santos. Entramos em contato com ele pelo Instagram. O espaço segue aberto para posicionamentos.

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