Ceilandense Adirley Queirós se consolida como o “cineasta do DF”

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    Hugo Barreto/Metrópoles

    É impossível separar a trajetória do cineasta Adirley Queirós de Ceilândia. Nascido no interior de Goiás, o realizador se mudou para a cidade, onde vive até hoje, quando ainda era criança. Seu contato com o cinema era feito apenas pelos filmes de ação tipo os do Rambo e as sessões da tarde das tevês abertas até decidir cursar audiovisual na Universidade de Brasília (UnB). De lá, saiu formado com o curta-metragem “Rap, O Canto da Ceilândia”, exibido no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2005.

    O ex-jogador de futebol profissional e cineasta utiliza a cidade satélite mais populosa do Distrito Federal como cenário e tubo de ensaio de um cinema cada vez mais disposto a desafiar os modos de produção tradicionais.

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    Meus filmes tentam o enfrentamento estético ao pensar a linguagem, a gramática cinematográfica. Existe toda uma dramaturgia clássica burguesa dominando o cinema e a literatura. Até o que sai da boca dos personagens expõe esta condição

    Adirley Queirós

    “Era Uma Vez Brasília”, mais recente longa Queirós, está na mostra competitiva do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, marcado para ser exibido nesta sexta-feira (22/9), às 21h, no Cine Brasília.  A vitória de “Branco sai, preto fica”, na 47º edição e a menção honrosa recebido no Festival de Locarno (Suíça) deste ano, credenciam o filme como um dos favoritos ao troféu candango.

    Ceilândia dá cinema
    Assim como em todos os outras produções assinadas por Queirós, “Era uma vez Brasília” é fruto de um trabalho coletivo tocado pela CeiCine, coletivo de Ceilândia, do qual também fazem parte o cantor de rap Marquim do Tropa (ator dos filmes) e o cineasta Cássio Oliveira.

    Nas ficções da CeiCine, o espaço físico e simbólico de Ceilândia (os sons da cidade: ruído de pessoas, buzinas, o carro do som anunciando as ofertas do supermercado local) são elementos que aparecem reinventados em mundos cinematográficos incríveis. “Em cada filme que dirijo, crio a expectativa do local. Lugar no sentido formal e estético. Como eu posso contar essa história a partir dalir? No ‘Rap, o Canto da Ceilândia’ (2005), a conversa era direta. Já em ‘Dias de Greve’ (2009) havia uma possibilidade de fruição maior. O filme vai tomando força ao longo da história. Vai virando um longa com o tempo. ‘Branco Sai, Preto Fica’ é uma fabulação a partir do real”, comenta.

    Os membros do coletivo da CeiCine se reúnem para discutir ideias cinematográficas e compartilhar visões de mundo ao som de Roberto Carlos e Amado Batista. Essas conversas são determinantes para alinhavar os tons do cinema político e combativo produzido em Ceilândia.

    “Estamos vivendo um momento de completo retrocesso social. Esse governo fascista, territorialista e homofóbico está rapinando o país com uma política neoliberal privatizadora. Estamos elaborando novas possibilidade estéticas para sair dessa inércia”, acredita Queirós.

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