Obras polêmicas da “Queermuseu” serão exibidas em prédios da UnB

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    Reprodução

    O fechamento da exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, que ocorreu em setembro, ainda está dando o que falar. Nesta segunda-feira (23/10), a Universidade de Brasília (UnB) irá projetar algumas das obras mais polêmicas da mostra na fachada de prédios do campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte.

    O ato, previsto para ocorrer na Galeria Espaço Piloto das 19h às 22h, faz parte do evento Conversas Sobre Arte, que está na programação da Semana Universitária – momento em que a UnB abre as portas para o público com uma série de eventos temáticos gratuitos.

    Confira algumas das peças exibidas na polêmica exposição:

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    Gaudêncio Fidelis, curador da mostra cancelada, abrirá o evento às 18h com um debate sobre a questão da arte na atualidade. Em conversa exclusiva com o Metrópoles, o especialista dá seu olhar sobre os últimos acontecimentos e explica quais serão seus próximos passos.

    Criminalização da arte
    Para o curador, a “Queermuseu” trata de um assunto que vai muito além das polêmicas geradas. “É a quarta exposição no mundo e a primeira na América Latina sobre a teoria queer, um tema muito relevante na atualidade”, explica Gaudêncio.

    A mostra conta com mais de 270 obras feitas por 85 artistas brasileiros que tratam do universo LGBT, levantando questões de gênero e de diversidade. Algumas delas foram acusadas de apologia à pedofilia e sexualização de menores, crimes previstos em lei.

    Esse ataque contra a mostra faz parte uma campanha difamatória produzida por membros de uma direita radical que busca criminalizar a produção artística atual.

    Gaudêncio Fidelis

    Gaudêncio confirmou que a mostra voltará a ser aberta ao público em 2018, no Parque Lage do Rio de Janeiro (RJ). Além disso, ele afirmou que vai abrir um processo judicial contra o Movimento Brasil Livre (MBL) pelos ataques realizados contra ele nas redes sociais.

    Divulgação

    “A arte sempre vai existir, mas o fato de haver tentativas contra ela mostra que a nossa democracia está em risco”, afirma Gaudêncio Fidelis, curador da “Queermuseu”

    O curador também está atuando na Justiça contra o Santander Cultural, que lesionou o trabalho da equipe da exposição ao fechar a mostra antes do prazo estabelecido, e o prefeito do Rio, Marcello Crivella. O político teria difamado o curador ao chamá-lo de pedófilo e ao vetar a ida da mostra ao Museu de Arte do Rio (MAR).

    Apesar do cenário turbulento, Gaudêncio não acredita que a arte irá regredir no Brasil, mas afirma temer pelo cenário político futuro. “A arte sempre vai existir, mas o fato de haver tentativas contra ela mostra que a nossa democracia está em risco. Tenho medo do que vem pela frente”.

     

     

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