Após dificuldades com agendamento, público deve encarar filas Para vacinar no DF

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Após registros de problemas na marcação de vacinas, Secretaria de Saúde decidiu atender sem agendamento, mas especialistas criticam

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) anunciou, nesta semana, a suspensão do agendamento da vacinação contra a covid-19. A decisão partiu do governador Ibaneis Rocha (MDB) e passa a valer a partir da chegada da próxima remessa de doses, o que deve ocorrer até sexta-feira (23/7). Enquanto isso, a pasta segue com a aplicação das doses no público previamente inscrito. A mudança ocorreu após o Executivo local registrar instabilidade no site vacina.saude.df.gov.br, por onde a população marca a data e hora do atendimento.

O anseio de tomar a vacina contra a covid-19 é grande para a administradora Luciana Frota, 40. Ela, o marido, João Távora, 40, e a filha deles de 5 anos tiveram a doença em março. Agora, ao tentarem agendar a imunização, enfrentaram dificuldades. O casal acessou o site da pasta assim que abriram as vagas e tentou durante uma hora e meia, mas só conseguiu horas depois, quando encontrou vaga no Gama. “Queremos nos vacinar, principalmente pelo medo da variante Delta. Não sabemos como ela reage com quem se infectou pela cepa identificada primeiro no Amazonas (o que aconteceu com Luciana e o companheiro)”, diz a moradora do Sudoeste.

Questionada sobre as possíveis causas da instabilidade no sistema, a Secretaria de Saúde não se pronunciou. foi encaminhada  diferentes demandas à pasta, mas só teve resposta de que a SES-DF “decidiu realizar o processo de vacinação por demanda espontânea e que mais detalhes serão divulgados brevemente”. Sobre a possibilidade de longas esperas nos pontos de atendimento, o órgão também não respondeu. Na terça-feira, em coletiva no Palácio do Buriti, o chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, pontuou que, na opinião dele, o novo modelo causará aglomerações e fila, devido à grande procura.

Possibilidades

O pesquisador do Centro Universitário Iesb e pós-doutor pela Universidade de Brasília (UnB) Breno Adaid considera que o DF está atrasado. “Caso a (quantidade de doses destinadas à) reserva técnica (para suprir perdas) fosse um pouco menor, atingiríamos mais pessoas em um espaço inferior de tempo. Com a possibilidade de infecção por uma variante muito contagiosa (a Delta), que provavelmente está em Brasília, aplicar a primeira vacina é fundamental”, pontua o especialista.

Para Carla Pintas Marques, professora do curso de saúde coletiva da UnB, o DF enfrenta atraso vacinal em relação a outras unidades da Federação devido à forma como ocorreu a priorização dos grupos. Por outro lado, ela considera assertiva a decisão da SES-DF de guardar doses para o reforço. Em relação ao agendamento, Carla defende os dois modelos: “Tem muitas pessoas sem acesso à internet que não conseguem agendar e não estão em regiões onde a vacinação está em sistema volante. Poderiam manter o sistema de agendamento com o drive-thru e a demanda espontânea nos postos de vacinação”, sugere.

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